Capa-texto-Alimentus.png

Dia mundial da alimentação: refletir!

No dia 16 de outubro de 1945 era criada a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Uma agência da ONU (Organização das Nações Unidas) responsável pelo emprego de esforços internacionais para a erradicação da fome no planeta, que assola mais de 820 milhões de pessoas conforme relatório intitulado “Estado da Insegurança Alimentar e Nutricional no Mundo em 2019”.

De acordo com a própria FAO, seu principal objetivo é alcançar a segurança alimentar para todos e garantir que as pessoas tenham acesso regular a alimentos de alta qualidade suficientes para levar uma vida ativa e saudável. Sua data de criação foi escolhida como o dia mundial da alimentação, com o intuito de que neste dia fossem debatidos temas relacionados à situação do consumo de alimentos no mundo.

Nessa data, tradicionalmente no Brasil, também se comemora o dia do engenheiro de alimentos, profissional que se dedica ao estudo de técnicas de transformação, preservação, acondicionamento, distribuição e transporte de alimentos. O interessante é que se observarmos no calendário nacional de datas comemorativas de profissões do mês de outubro, encontraremos um verdadeiro exército de profissionais marchando em direção ao abastecimento de alimentos. Pois vejamos:

  • No dia 06 de outubro se comemora o dia do tecnólogo de alimentos, profissional que atua no emprego de tecnologias de beneficiamento e industrialização de alimentos.
  • No feriado do dia 12, o país comemora o dia do engenheiro agrônomo que, dentre outras atribuições, é responsável pela produção primária vegetal e animal e pelo emprego de tecnologias pós-colheita.
  • No dia seguinte, 13 de outubro, comemora-se o dia do técnico de alimentos, profissional de nível médio que também atua no âmbito da tecnologia de processamento de alimentos.
  • E no fim do mês, no dia 27, temos a comemoração do engenheiro agrícola, que se dedica, dentre outras atividades, ao emprego de técnicas de processamento e armazenamento de produtos agrícolas.

“Um exército marcha sobre seu estômago.” – uma frase de Napoleão que já rendeu várias publicações e debates sobre como o imperador francês gerenciou suas conquistas por meio do abastecimento de seu exército – isso nos diz muito!

O Estado precisa se preocupar com o seu consumo de alimentos, ou seja, é preciso que se conheça quem e o que se consome para que se implementem as devidas políticas de produção agropecuária, pesqueira e aquícola, bem como  as respectivas políticas agroindustriais e comerciais de distribuição e transporte de alimentos, o que culminará com o fortalecimento das diversas cadeias produtivas. É claro que para que se alcance essa condição ideal, é imprescindível que se invista em pesquisa e desenvolvimento.

Coincidentemente, no dia 16 de outubro também se comemora o dia da Ciência e da Tecnologia! Não é de hoje nem começou nesse atual governo a carência de nossos cientistas para que se dê a devida atenção à produção científica brasileira. Num país que recebeu dois ótimos rótulos como “potência agroambiental” e “celeiro do mundo”, um significativo bloqueio orçamentário do governo federal sofrido pela Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), representa uma chateação para todos os atores envolvidos nas diversas cadeias produtivas agroindustriais. Segundo informações do próprio site (aqui), entre os anos de 2003 e 2017 a empresa pública esteve entre as dez primeiras instituições com o maior nível de produtividade acadêmica e a maior entre as instituições não acadêmicas do país, além de ter proporcionado um lucro social de 43,52 bilhões de reais, gerado a partir do impacto econômico no setor agropecuário.

No mês de outubro temos muito o que comemorar, porém bem mais o que refletir! O mesmo “Gigante Pela Própria Natureza” que fora apelidado de celeiro do mundo, agora se encontra com os dois pés novamente em cima do mapa da fome. No mês passado o IBGE confirmou que o país atingiu a marca dos 5% da população que ingere menos calorias que o recomendável pela Organização Mundial da Saúde (OMS)*.

Nosso exército multiprofissional tem sofrido com o esforço para cumprir uma árdua missão que é a de garantir calorias suficientes à nação; e o investimento em ciência e tecnologia na produção de alimentos vem sofrendo limitações preocupantes. Se você, leitor, é um dos profissionais que comemora seu dia neste mês, convido-o a passar o resto de outubro pensando em como sua profissão poderia nos tirar desse mapa tão triste.

Falo também com os meteorologistas, que comemoram no dia 14 e que possuem o conhecimento das ciências atmosféricas e se dedicam ao estudo do clima, um dos fatores mais importantes para a produção de alimentos; dirijo-me aos professores, que comemoram no dia 15, em especial aos formadores de profissionais ligados à ciência e tecnologia de alimentos; aos médicos, que festejam no dia 18, em especial os nutrólogos que conhecem de perto a saúde nutricional do país; e aos colegas servidores públicos, quando comemoram no dia 28, em especial aos integrantes do Ministério da Agricultura e das Secretarias Estaduais e Municipais de Agricultura, responsáveis pelo desenvolvimento do agronegócio e da agricultura familiar.

O direito a alimentação de qualidade deve ser garantido a todo ser humano! Trabalhemos por essa garantia, pois foi para isso que adquirimos uma formação acadêmica: para cuidarmos uns dos outros.

* Um valor calórico de 2.000 a 2.500 quilocalorias/dia para um homem adulto e de 1.500 a 2.000 para uma mulher.

Julio Cezar D’Ávila Pereira Paixão Costa é Engenheiro de Alimentos e Mestre em Ciência e Tecnologia de Alimentos. Atuou durante 8 anos como técnico do laboratório de Análise de Alimentos na Universidade Federal do Tocantins. Atualmente é Engenheiro no Escritório Federal de Aquicultura e Pesca no Tocantins.

Júlio Cézar PaixãoDia mundial da alimentação: refletir!
Share this post

Deixe seu comentário